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Minha sala de aula

Page history last edited by PBworks 5 years, 1 month ago

           A escola em que eu trabalho chama-se Escola Municipal de Ensino Fundamental Alecsandro Flores, localiza-se na Estrada Rodolfo Engel, nº 335, no bairro Rincão do Cascalho, no município de Portão. Fica numa localidade chamada Saibreira, que não é considerada zona rural, mas lá não há linha telefônica, linha de ônibus, rede de esgoto, entrega de jornais, nem correspondências.

A escola atende 49 alunos do Ensino Fundamental - Séries Iniciais, tem cinco professoras, uma supervisora educacional e uma serviçal (pessoa responsável pela merenda e pela limpeza). Nossos alunos são bastante carentes e a maioria possui uma estrutura familiar complicada.
A sala de aula em que eu trabalho, no turno da tarde, é bastante ampla, tem dois ventiladores de teto, dois armários um quadro verde, um quadro mural, uma estante de aço e classes com cadeiras. Também, há seis sofás pequenos e alguns colchonetes no canto da sala.
A turma do 1º ano é formada por dez alunos, sendo quatro do sexo feminino e seis do sexo masculino. Destes, há um casal de gêmeos e um casal de gêmeas. Todos os alunos tem seis anos e nenhum teve contato com a educação formal antes. Nenhuma família recebe mais do que 2 salários mínimos, sendo que apenas três pessoas estão trabalhando com carteira assinada (serviços gerais) e os demais vivem de biscates (pedreiros, faxineiras, cortador de mato, catador de lixo, ...). Apenas dois pais possuem o Ensino Fundamental completo e o restante estudou somente até a 4ª série. Raramente se encontra nesta comunidade famílias que tenham um ou dois filhos, a maioria tem mais de três filhos, como podemos observar nesta turma: três famílias tem 3 filhos; 3 famílias tem 4 filhos; uma família tem 5 filhos e uma família tem 6 filhos. Dos dez alunos que tenho, quatro são os caçulas da família, duas são as primogênitas e quatro são os “recheios” ou seja, os filhos do meio. Todos os alunos moram em casas de madeira e apenas um possui automóvel.
Os alunos e suas famílias nunca tiveram acesso a computadores, o contato com os mesmos foi apenas visual e utilitário, em hospitais, na secretaria da escola, em supermercados, na secretaria da igreja, entre outros locais públicos.
            Este ano, tem sido bastante diferente do que eu estava habituada como professora de 1ª série, pois foi implantado no município o Ensino fundamental de 9 Anos. Então, ainda há uma certa dificuldade em saber se estamos trabalhando de forma correta ou não. Nossos novos planos de estudos, foram construídos em conjunto, pelos supervisores educacionais do município. Agora, estamos nos encontrando, todos os professores de 1º ano da rede, para debatermos e chegarmos a um consenso sobre a forma mais adequada de trabalharmos com estas crianças de 6 anos. Também, com a preocupação de não tornar este ano a mais, perdido, sem acrescentar algo aos nossos alunos.
            Desenvolvo meu trabalho, sempre com projetos relacionados as datas comemorativas, temas definidos na escola e outros que partam do interesse e da necessidade das crianças. Tenho feito muitas atividades envolvendo a motricidade ampla e fina, uma vez que os alunos chegam a escola sem saber pegar um lápis ou uma tesoura. As atividades que envolvem números e o alfabeto, são exploradas através de jogos e brincadeiras.
Neste ano, as aulas, ao meu ver, estão sendo mais prazerosas, pois não temos o compromisso com a alfabetização, podendo assim, realizar tudo com mais calma. Tenho mais tempo para fazer brincadeiras, jogos, trabalhar com músicas e poesias, entre tantas outras atividades que de forma lúdica levam o aluno a aprender. Nos anos anteriores, era preciso correr contra o tempo, pois ao final do período letivo, os alunos tinham que estar lendo e escrevendo.
            Busco, sempre tratar meu aluno como pessoa que é, e não apenas como aluno. Já que a turma é pequena, consigo conhecer muito bem cada um dos deles, como também as suas famílias. Então, fica mais fácil entender e compreender certas atitudes e hábitos que apresentam. Ás vezes, chego a pensar que eles são muito bons, pois vivem em famílias onde a bebida, o cigarro e as drogas ilícitas, fazem parte do cotidiano; bem como brigas, espancamentos, fome, e histórias que parecem irreais, acontecendo normalmente.
            Na escola, desenvolvemos entre todas as docentes, um trabalho conjunto, desde o 1º ano até a 4ªsérie, onde fizemos com que nossos educandos elevem sua auto – estima, observem sempre os exemplos positivos dentro da comunidade e percebam que podem ser vencedores, se batalharem e se esforçarem para modificar a realidade em que vivem. Nesse sentido, proporcionamos a eles, o contato com outras realidades e com tudo que podem conquistar além da vila, na qual nasceram e estão crescendo.
            Além deste desafio, que é constante, este ano o maior que tenho é fazer com que a maioria ou todos os meus alunos, até o mês de dezembro, leiam e escrevam através desta forma diferenciada, ao memos para mim, uma vez, que não tenho este compromisso formalizado.
 

 

Comments (2)

Anonymous said

at 7:02 pm on Apr 17, 2007

Professora Fabiana boa a tua colocação sobre a tua turma, mas fiquei em dúvida com a colocação "serviçal",a quem te referes?Beijos.

Anonymous said

at 8:54 pm on Apr 18, 2007

Luciane, já expliquei melhor o termo que utilizei no trabalho.Serviçal refere-se à pessoa responsável pela merenda e pela limpeza da escola.Abraços.
Fabiana

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